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| fotografia: filipe sousa | 23 maio 2025 |
As “boules”, que incluem o jogo da petanca, são uma "instituição" muito francesa, e contam com um lídimo representante na Provença: a Association Bouliste Forcalquier. No outro dia, passei pelo terreiro de Cour des Artisans, durante e depois de partidas que se realizam habitualmente ao fim da tarde e atraem boulistes exímios da cidade, à procura dessa atmosfera especial tão bem captada pela arte de Lawrence Durrell (1912-1990) e Marcel Pagnol (1895-1974):
«O anisete (pastis) por toda
a parte declara-se como o acompanhamento ideal para as meditações nocturnas dos
jogadores de boules; não havia praça de
aldeia no verão sem o tinido das pequenas bolas de aço, nenhuma aldeia sombria
sem os seus boulistes embrenhados na austeridade socrática do silêncio entre
lançamentos. O silêncio sagrado do bouliste
está prenhe de futuridade, as suas convulsões e contorções quando as coisas
correm mal são puro cinema primitivo; a imortalidade de Pagnol baseia-se num
cuidadoso estudo dos originais gráficos, para ele disponíveis numa longa vida
de participação em torneios de vilas e aldeolas.»
Lawrence Durell, A Sombra Infinita de César (Caeser’s Vast Ghost, 1999), trad. Sérgio Gonçalves, Edições Saídas de Emergência, Porto Salvo, p. 24.
