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| filipe sousa | 21 novembro 2025 |
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| filipe sousa | 21 novembro 2025 |
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| fotografia: pedro sousa | 5 agosto 2025 |
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| fotografia: filipe sousa | 2 maio 2025 |
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| fotografia: filipe sousa | 26 setembro 2025 |
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| fotografia: filipe sousa | 23 setembro 2025 |
De regresso a Valence, à beira Ródano, voltada para os promontórios de Ardèche, onde começa o Mediterrâneo, a cultura da oliveira e do azeite.
«Para chegar por fim a Valence, onde tem início a mudança de sotaque: a gastronomia muda subitamente da nata para o azeite e para especiarias na dieta mais austera do Sul, com as primeiras azeitonas e amoras e o contraste trágico de uma árvore-de-judas em flor, a pincelada violeta brilhante única da árvore-de-judas.
(…)
Subitamente, o mediterrâneo começa a afirmar-se e o folclore tradicional provençal, o velho mecanismo turístico, dá sinal de si com os seus ciprestes e com os telhados de telha assada, com a sua hera e madressilva, os sicómoros e os plátanos serenos, traçando o curso de rios secretos escavados pelo movimento constante dos glaciares suíços na sua descida para o mar. Ródano!»
Lawrence Durell, A Sombra Infinita de César (Caeser’s Vast Ghost, 1999), trad. Sérgio Gonçalves, Edições Saídas de Emergência, Porto Salvo, pp. 23, 33.
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| fotografia: pedro sousa | 2 agosto 2025 |
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| fotografia; filipe sousa | 23 setembro 2025 |
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| fotografia: rebeca souza | 13 julho 2025 |
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| fotografia: filipe sousa | 15 junho 2024 |
Coroai-me de rosas
Coroai-me em verdade
De rosas.
Quero ter a hora
Nas mãos pagãmente
E leve,
Mal sentir a vida,
Mal sentir o sol
Sob ramos.
Coroai-me de rosas
E de folhas de hera
E basta.
Ricardo Reis, Poesia I, Odes, 12-6-1914, Fernando Pessoa, Obra completa de Ricardo Reis, ed. de Jerónimo e Jorge Uribe, Tinta-da-China, Lisboa, 2024, p. 45.
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| fotografia: filipe sousa | 23 maio 2025 |
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| fotografia: filipe sousa | 18 maio 2025 |
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| fotografia: pedro sousa | 24 dezembro 2025 |
«Areia e céu, mar e céu. (...) E luz? E o prodígio da luz?... A gente está tão afeita à luz que não repara nela e trata como uma coisa conhecida e velha este azul que nos envolve e penetra e que desaba em torrentes sobre as águas verdes desmaiadas e sobre as terras amarelas e vermelhas até ao cabo Espichel...»
Raul Brandão, Os Pescadores (1923), Estante Editora, Aveiro, 1989, p. 165.
MAR SONORO
Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim,
A tua beleza aumenta quando estamos sós
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho,
Que momentos há em que eu suponho
Seres um milagre criado só para mim.
Sophia de Mello Breyner Andresen, Dia do Mar (1947), Poemas escolhidos, Círculo de Leitores, Lisboa, 1981, p. 8.
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| fotografia: filipe sousa | 10 maio 2025 |
William Shakespeare, Os Sonetos, trad. Vasco Graça Moura, Bertrand Editora, Lisboa, 2002, p. 81.
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| fotografia: filipe sousa | 9 maio 2025 |
Sete poemas
Reiner Maria Rilke, Momentos de Paixão, com desenhos de Auguste Rodin (1905?), trad. Isabel Castro Silva, João Barrento, José Miranda Justo, Relógio d’Água Editores, Lisboa, 2004, p.15.
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| fotografia: pedro sousa | 18 julho 2025 |
Quem disse que a selva amazónica «obriga a alma a dobrar-se sobre si mesma» não podia estar mais certo.
«…adormecer embalado numa rede, sob a brisa tépida das noites amazonenses, devia ser regalo de truz, inesquecível por muito que se vivesse.»
Ferreira de Castro, A Selva (1930), 33ª edição, Guimarães & Companhia Editores, Lisboa, 1981, pp. 41-42.
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| fotografia: filipe sousa | 21 maio 2025 |
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| fotografia: filipe sousa | 23 maio 2025 |
| fotografia: filipe sousa | 20 abril 2025 |
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| fotografia: filipe sousa | 23 fevereiro 2025 |
| fotografia: filipe sousa | 23 fevereiro 2025 |
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| fotografia: filipe sousa | 22 fevereiro 2025 |
Ela, a miúda do cabelo louro. Com uma cana na mão toca ao de leve na superfície do lago, aspergindo o jardim em volta com breves jactos de água. Fica maravilhada com o efeito produzido. E repete, e repete, sem se fartar. Ele, o miúdo com o mesmo tom palha no cabelo. Alheio ao que se passa à sua volta, indaga o fundo do lago com olhos de falcão. Que sortilégios procurará ele na escuridão, entre as raízes dos nenúfares: um pimpão, um cágado, um tritão, um duende, um anão, um tesouro? Nada disso? O que será então? Esses dois tomados pelo deslumbramento, imagino-os irmãos, primos, amigos, nórdicos, descendentes do Cavaleiro da Dinamarca…. Palavra que quando os vi não pude deixar de lembrar-me de Sophia e Ruben A. e das suas memórias de infância. E de como foram felizes neste mesmo paraíso, num passado já distante, «quando os dias eram compridos e se podia cismar», com os “joelhos deitados abaixo” das inúmeras subidas às árvores, correrias e trambolhões. Um mundo inesgotável de descoberta e encantamento pessoal, que acabou por marcar as obras de ambos e todos os que as leram. Já agora, o que farão as duas crianças louras com o capital de experiência deste dia? Que memórias guardarão para serem revividas, desfrutadas mais à frente? Seguirão as pisadas dos primos Andresen? Escreverão também eles os seus livros, como reflexos e prolongamentos do seu ser, das suas vidas, do seu tempo? Para que outras crianças se possam inspirar com as suas histórias e «aprenderem a aventura / de quebrar horizontes esbarrados / e avançar sem mapas à procura / do corpo e do desenho da verdade»? Este apontamento, tão exacto e veemente, poderá parecer inventado. Mas nunca nada é inventado, como diria Sophia.
«Esta casa desmedida, cheia de gente mas também cheia de lugares vazios e quartos desabitados e fechados, cheia de vozes, silêncios ressonâncias, mistérios, medos e encantações e assombros, aparece, assim como o jardim, o parque, o pinhal e a quinta, em muitos dos poemas e contos que ao longo dos anos escrevi. É a casa de Hans do conto «Saga», o jardim do Rapaz de Bronze. E, múltipla, a casa é também «um dos palácios do Minotauro» de que falo num dos meus poemas. É igualmente esta a casa que o meu primo Ruben A. descreve no seu livro O Mundo à Minha Procura: uma óptima descrição, tão exacta e veemente que poderá parecer inventada. Mas nunca nada é inventado.»
Sophia de Mello Breyner Andresen, "Memórias de Sophia - Inéditos", Revista Ler, Dezembro 2012, nº 119.
«A casa e a Quinta do Campo Alegre pertencem hoje ao Estado. Aí foi instalado o Museu de Ciências Naturais da cidade do Porto e o Jardim Botânico. Percorri a casa e andei pela Quinta. Agradeço ao seu conservador as facilidades prodigalizadas para que esse mundo fabuloso se vivesse com mais intensidade ao contactar os quartos onde dormi, as salas onde passei natais seguidos, as ruas da Quinta que me conheceram nos fins de tarde, os recantos onde vivi dores de um lirismo exacerbado. Voltar ao Campo Alegre foi para mim qualquer coisa de enorme na vida, mais importante do que ir à Lua, ou andar em órbita à volta da Terra. (…) A ideia da grandeza do Campo Alegre hoje em dia já é difícil de formar para quem não se lembre do que era aquele território no seu apogeu. A mata da Quinta, o souto de castanheiros, os altos muros de camélias, os milheirais em vários andares, os campos, tudo foi sacrificado aos novos urbanismos, à auto-estrada que entra no Porto pela ponte da Arrábida. Para quem viaja de Lisboa, o Campo Alegre é aquele parque imenso que se depara logo à saída da ponte, e de onde sobressai uma construção monumental cheia de alicerces e uma clarabóia que tanta luz me incutiu.»
Ruben A., O Mundo à Minha Procura, vol. I (1964), Assírio & Alvim, Lisboa, 2020, p. 22.
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| fotografia: filipe sousa | 22 fevereiro 2025 |