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| fotografia: filipe sousa | 21 maio 2025 |
«Nesta época de azeitonas. Não consigo pensar em nada mais épico.
Do ramo de aço cinzento ao pote de barro, a azeitona escorrega nas mãos, desce como uma torrente, acumula a sua água negra e pesada nos sótãos, e as velhas vigas gemem sob o seu peso durante a noite. Nas margens deste grande rio de frutos que corre, o nosso mundo inteiro canta.
É o tempo da colheita, o tempo em que se ordenha a árvore como se ordenha uma cabra, a mão agarrada ao ramo, o polegar no ar, e depois a pressão para baixo. Mas em vez de leite, é o azeite que corre.» (tradução livre)
Jean Giono, Poème de l’olive (1958), Éditions Gallimard, 1986, pp. 95-96.
