Porto

fotografia: filipe sousa | 23 fevereiro 2025

 





















«Quem percorrer o velho centro do Porto, ao lado do labirinto do antigo burgo medieval, espraiado aqui e além em belas ruas quinhentistas, e seguir depois, para lá desse primitivo núcleo, pelas antiquadas ruas irradiantes, seis, sete e oitocentistas – que representam o povoamento das estradas de acesso às portas da cidade, e o desenvolvimento do seu transbordar inicial além-muralhas -, é de entrada surpreendido apenas pela completa falta de uniformidade das casas que aí se encontram: casas de todos os feitios e tamanhos, cada qual de sua altura e cor, contíguas umas às outras, numa total confusão de formas, que parece condenar a fracasso qualquer tentativa de seriação.
Atentando-se porém um pouco melhor, logo algumas ideias gerais se vão definindo, que introduzem uma certa ordem nesse polimorfismo caprichoso, para lá da aparente diversidade, descobrem-se semelhanças essenciais…(…) vêem-se casas que, embora com um número variável de andares – na sua maioria com três ou quatro, fora os acréscimos, e não raro com cinco e mais, e com duas ou três janelas ou portas de frente, raramente com mais e às vezes só com uma – são todas elas uniformemente esguias, estreitas e altas, desenvolvendo-se, numa palavra, em solução vertical, e mostram um estilo comum de motivos, que afirma o seu parentesco (…)».
Ernesto Veiga de Oliveira, Fernando Gallhano, Arquitectura Tradicional Portuguesa (1992), 5ª ed., Publicações Dom Quixote, Lisboa, 2003, pp. 310-311.

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