«-Não é a primeira vez que venho a Veneza. Na verdade, é a terceira. Estou aqui por causa de uma aposta - Corto Maltese.
-Uma aposta? Interessante!- Bepi Faliero»
Hugo Pratt, Corto Maltese, Fábula de Veneza (Favola di Venezia o Sirat al Bunduqiyyah, 1977), Arte de Autor, Lisboa, 2020, p. 37.
«-Já te aconteceu ver uma cidade que se pareça com esta? - perguntou Kublai a Marco Polo estendendo a mão repleta de anéis para fora do baldaquim da seda do bucentauro imperial, a indicar as pontes em arco sobre os canais, os palácios principescos cujos portais de mármore imergem nas águas, o vaivém das barcas ligeiras que volteiam em ziguezague impelidas por longos remos, as chatas que descarregam cestas de hortaliças nas praças dos mercados, as varandas, os miradouros, as cúpulas, os campanários, os jardins das ilhas que verdejam no pardacento da laguna.»
Italo Calvino, As Cidades Invisíveis (Le città invisibili, 1990), trad. José Colaço Barreiros, Editorial Teorema, Lisboa, 2002, p. 89.
VENEZA
Que música serias
se não fosses água?
Eugénio de Andrade, «Escrita da Terra» (1970-1978), in Poesia e Prosa (1940-1980), 2ª ed. Limiar, Porto, s.d., p. 139.

