Venezia / Veneza

fotografia: filipe sousa | 24 abril 2026






































«-Não é a primeira vez que venho a Veneza. Na verdade, é a terceira. Estou aqui por causa de uma aposta - Corto Maltese.
-Uma aposta? Interessante!- Bepi Faliero»
Hugo Pratt, Corto Maltese, Fábula de Veneza (Favola di Venezia o Sirat al Bunduqiyyah, 1977), Arte de Autor, Lisboa, 2020, p. 37.

«-Já te aconteceu ver uma cidade que se pareça com esta? - perguntou Kublai a Marco Polo estendendo a mão repleta de anéis para fora do baldaquim da seda do bucentauro imperial, a indicar as pontes em arco sobre os canais, os palácios principescos cujos portais de mármore imergem nas águas, o vaivém das barcas ligeiras que volteiam em ziguezague impelidas por longos remos, as chatas que descarregam cestas de hortaliças nas praças dos mercados, as varandas, os miradouros, as cúpulas, os campanários, os jardins das ilhas que verdejam no pardacento da laguna.»
Italo Calvino, As Cidades Invisíveis (Le città invisibili, 1990), trad. José Colaço Barreiros, Editorial Teorema, Lisboa, 2002, p. 89.

VENEZA
Que música serias
se não fosses água?
Eugénio de Andrade, «Escrita da Terra» (1970-1978), in Poesia e Prosa (1940-1980), 2ª ed. Limiar, Porto, s.d., p. 139.

Rimini

fotografia. filipe sousa | 21 abril 2026

 






















«Na época em que São Paulo se lançou no périplo ecuménico que iria conduzi-lo da Terra Santa à Cidade Eterna, o Adria (ou Hadria) estendia-se até Creta e à Tunísia, banhando a Sicília e Malta - pelo menos assim o via São Lucas nos Actos dos Apóstolos (27). O Evangelho sobrestimava provavelmente as dimensões do Adriático, não sem alguma razão: na costa leste deste mar devia nascer São Jerónimo, o tradutor das Escrituras, na cidade de Estridão, arrasada pelos bárbaros a ponto de não sobrarem sequer as ruínas. Ignoramos onde, na Dalmácia, ficava ao certo.
Seria arriscado adiantar que os primeiros habitantes da Laguna vieram aí estabelecer-se guiados pelos Evangelhos. Sabe-se, no entanto, que todo o Adriático viria a chamar-se a breve trecho Golfo de Veneza. Assim o designariam amigos e inimigos da Sereníssima.»


Pedrag Matvejevitch, A Outra Veneza (L'Autre Venise, 2004), trad. Antonio Sabler, Quetzal Editores, Lisboa, 2022, p. 59.