![]() |
| fotografia. filipe sousa | 21 abril 2026 |
«Na época em que São Paulo se lançou no périplo ecuménico que iria conduzi-lo da Terra Santa à Cidade Eterna, o Adria (ou Hadria) estendia-se até Creta e à Tunísia, banhando a Sicília e Malta - pelo menos assim o via São Lucas nos Actos dos Apóstolos (27). O Evangelho sobrestimava provavelmente as dimensões do Adriático, não sem alguma razão: na costa leste deste mar devia nascer São Jerónimo, o tradutor das Escrituras, na cidade de Estridão, arrasada pelos bárbaros a ponto de não sobrarem sequer as ruínas. Ignoramos onde, na Dalmácia, ficava ao certo.
Seria arriscado adiantar que os primeiros habitantes da Laguna vieram aí estabelecer-se guiados pelos Evangelhos. Sabe-se, no entanto, que todo o Adriático viria a chamar-se a breve trecho Golfo de Veneza. Assim o designariam amigos e inimigos da Sereníssima.»
Seria arriscado adiantar que os primeiros habitantes da Laguna vieram aí estabelecer-se guiados pelos Evangelhos. Sabe-se, no entanto, que todo o Adriático viria a chamar-se a breve trecho Golfo de Veneza. Assim o designariam amigos e inimigos da Sereníssima.»
Pedrag Matvejevitch, A Outra Veneza (L'Autre Venise, 2004), trad. Antonio Sabler, Quetzal Editores, Lisboa, 2022, p. 59.

Sem comentários:
Enviar um comentário
Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.