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| fotografia: filipe sousa | 11 maio 2024 |
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| fotografia: filipe sousa | 8 maio 2024 |
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| fotografia: filipe sousa | 7 maio 2024 |
«A torre inclinada é uma vista detestável, e no entanto é muito provável que se tenham esmerado por construí-la assim. Encontro a seguinte explicação para este disparate: nos tempos da grande instabilidade urbana todo o grande edifício era uma fortaleza, na qual as famílias poderosas erguiam uma torre. Com o tempo, isto transformou-se numa questão de capricho e prestígio, cada uma queria mostrar a melhor torre, e quando as torres direitas começaram a ficar cada vez mais corriqueiras, alguém mandou construir uma inclinada. E o arquitecto e o proprietário conseguiram o que queriam, porque as pessoas passam pelas muitas torres direitas à procura da inclinada. Subi depois ao cimo desta. As camadas de tijolo são horizontais. Com uma boa massa e esteios de ferro podem fazer-se coisas espantosas.»
J.W.Goethe, Viagem a Itália (Italienische Reise, 1786-1787), trad. João Barrento, Relógio d'Água Editores, Lisboa, p. 129.
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| fotografia: filipe sousa | 7 maio 2024 |
J.W.Goethe, Viagem a Itália (Italienische Reise, 1786-1787), trad. João Barrento, Relógio d'Água Editores, Lisboa, p. 128.
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| fotografia: filipe sousa | 4 janeiro 2024 |
«Quando o homem
desceu para o oceano por um carreiro talhado na falésia, a amiga dele
abeirou-se do precipício e teve medo. Mar para um lado e para o outro, mar e
mais mar. Mar à altura dos olhos – no horizonte; mar por baixo dos pés. E ao
alto, fechando o mar, um céu fosco arrepiado pela berraria das gaivotas. Tudo
ermo. Em relação à terra, campo raso e um pinhalzito antes de se chegar à
estrada; em relação ao oceano, o que se sabe.
(…)
«Apetecia-me
ir por aí», disse ela a dada altura (…)
(…)
A seguir foi sentar-se entre a porta do carro e correu a vista pelo mar, procurando desviar a memória.
(...)
O descampado arrefecia, agora que o sol se afogava na última dobra do mar. Arrefecia o tempo e ia escurecendo a terra, alumiada pobremente por uns farrapos de nuvens afogueadas.
(...)
«Já reparou
como se fez noite?»
«É verdade.
Pela minha parte tive uma tarde adorável.»
(…)
«Apetecia-me
vadiar até se fazer dia…»
(…)
No automóvel, a caminho de Lisboa:
«Que faz
você amanhã?»
«Não sei. E
você?»
O carro
mordia a estrada, aos uivos nas curvas.»
José Cardoso Pires, O Anjo Ancorado (1958), 5ª ed., Moraes Editores, Lisboa, 1977, pp. 35, 62, 68, 142-143, 148.
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| fotografia: filipe sousa | 16 junho 2023 |
Ítaca fica a 200 km, para sul, do estreito de Corfu. A minha Ítaca a muitos mais, para oeste. Embalado pelo mar Jónio, ao sabor da brisa e da poesia.
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| fotografia: filipe sousa | 22 junho 2022 |
«É assim, vem um gajo, numa boa, todo manselinho, o dia tá porreiro, lá a ver os meus velhotes, e zá e zá, que isto é só ternura, pá, com lágrimas que eu não mostro porque eu choro pra dentro e mijo pra fora, ó para esta cara mais querida, aqui na minha frente, mamã, mamã, ó para este pai, esta figura, esta firmeza facial e marcial, se faz favor, que até parece um senador ou o caraças, não me sacudas a mão, pai, que eu ia só fazer uma festa amigável, é assim: podias ao menos dar-me um abraço, eu não tenho pulgas, um gajo lá por usar rabo de cavalo e não ter tempo pra cortes de cabelo e essas macaquices, não obriga a andar carregado de vermes e carraças e fiocos de palha e essas merdas, quero dizer, desculpe lá, essas trampas, vá lá, pai, seja tolerante, que eu falo à moderna, linguagem viva, do povo mesmo, percebes? É assim: trato por tu porque é o que eu costumo com toda a gente e por maioria de razão com o meu pai que me é mais chegado, mas se não quer, por mim, tudo bem, isto cada um, pá, é como cada qual, e amigo não empata amigo. É assim: eu é que não fossilizei no tempo, essa é que é essa, eu sou desenrascado, abertura prò mundo que está a mudar, escutem os sinais, vejam os sinais, meus, agora vocês, eu compreendo, já há artrose, escoliose, ancilose, salvo seja, e mesmo que quisessem não percebiam, é assim: não podem perceber, vão à janela e vejam-me esses muros, as portas dos prédios, os candeeiros e o camandro, pá, lá está o meu tag, eu tou a deixar a minha marca nas paredes, e há uns gajos que sabem que sou eu, o Lencastre, o filho do coronel que riscou aquilo e que impediu a burguesia de ter ideias incolores contra os muros brancos, muro liso não tem expressão, os tags, atenção, atenção, não os grafitti, são vida e libertação, o grafitte amocha, faz o jeito ao burguês, tem harmonia, cores, armado ao artístico, o tag não!, é pra desconstruir, para emporqueirar e dar sobressaltos. A volúpia do perigo, pá, nunca ouviu falar?, assim mesmo, pás, mas porque é que o pai há-de ter esse feitio?, não ouve, só sabe mandar, escute, quando passo por um muro e deixo o meu rasto, o tag secreto e o tag exógeno, pá, é como aqueles gajos que libertam continentes inteiros, sei lá, o Simão Bolívar, o Fidel Castro e essa malta toda, fixe, mas que é que tem o facto de eu ter quarenta e dois anos? É assim: eu tenho a culpa? Está aqui o vosso filho, na frente, em carne e osso, e pensam é no BI, a burocracia já chegou à família, catano? Os piercings não faz mal, é prata, não infecta, é tudo do simbólico, o pai não usava galões? Chegue pra lá a mão, chegue pra lá a mãozinha, são símbolos, pá, um gajo constrói o mundo que quer, depois desconstrói, passa as mensagens que quer, eu até posso ganhar bem, que é que tem?, é assim: um gajo é três vezes mestre de palco em três concertos e tá safo prò resto do ano, orienta-se com umas gajas, com umas ganzas, isto é vida, a nova cultura, o hip-hop, só cá é que é esta merda tradicionalista, pequeno-burguesa, tudo certinho, tudo direitinho e o caraças, o que eu gostava, percebe, deixe lá o «de», mãe, quem é que liga a isso da gramática, dos acentos e coisa e tal, era o dia mais feliz da minha vida era dar umas sprayadas na merda dos painéis de São Vicente e encher aquela bodega toda com o meu tag e repintar aquilo tudo que é um convite ao imobilismo e ao passadismo, pai, pai, não vale a pena perder a cabeça, um pai, onde é que já se viu, a bater num filho adulto só por não ser capaz de ouvir umas verdades, obrigado mamã, sempre me protegeu, fez o que pôde, olhe pai, não me bata, eu sou mais alto que o pai, porra, já me rompeu a polpa do beiço eu não mereço isto, ó, ó para os meus braços, lisinhos, aqui nunca furou agulha, charros não digo que não, mas é assim: os maiores especialistas do mundo garantem - tá escrito, tá escrito! - que faz bem ò sistema, e passam atestados e tudo, ali, estou limpo ou não, mãe?, há razão prò pai me bater? Mamã, agora a sério, mamã é um aperto, houve um mal-entendido, são só cinquenta euros, eu devolvo já amanhã, sempre fui sério de contas, ó pai não se meta, caraças, se não tem respeito pelo seu filho, tenha dó da sua mulher. Caraças, pai, porra, vou-me já embora desta puta de casa. Vê, vê? É assim: tenho o sobrolho a sangrar, tá a ver? Mamã? Vou telefonar pràs televisões, vou escrever em todas as paredes que o coronel Amílcar Lencastre é todo antigo regime, pá, tem maus bofes e dá porrada no filho, e aquilo é só por ódio à modernidade e à humanidade...»
Mário de Carvalho, Fantasia para dois coronéis e uma piscina, 3ª ed. Editorial Caminho, Lisboa, 2003, pp. 73-75.
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| fotografia: filipe sousa | 25 janeiro 2024 |
Luís de Camões, “Canção X” in Rimas (org. Fernão Rodrigues Lobo Soropita, Lisboa, 1595), texto estabelecido e prefaciado por Álvaro Júlio da Costa Pimpão, Livraria Almedina, Coimbra, 1994, p. 227.
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| fotografia: filipe sousa 1 agosto 2018 |
«O Mediterrâneo inteiro –esculturas, palmeiras, joias de ouro, heróis barbudos, vinho, ideias, navios, luar, górgonas aladas, figuras de bronze, filósofos -, todo ele, parece despontar no gosto áspero e acre da azeitona preta entre os nossos dentes. Esse gosto é mais antigo que o da carne e o do vinho tinto. Antigo como a água fresca.»
Lawrence Durrell, Paisagem com oliveiras (Landscape with olive trees), 1976.
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| fotografia: filipe sousa | 25 dezembro 2023 |
«Reparo no céu...Como num quadro inverosímil de Turner as névoas esgarçadas embebem-se em reflexos vermelhos - cores delicadas de nácar, interiores de conchas, tons róseos bebidos pelas gotas de humidade. (...) mas é no céu que se representa a verdadeira tragédia: os tons violetas da agonia carregam-se e condensam-se; as nuvens ensopam-se de tinta mais escura e um grande véu lilás interpõe-se pouco e pouco entre mim e a paisagem. Todas as cambiantes vão reflectir-se nas águas onde bóia ainda o doirado do poente. Sinto que a tinta que envolve a paisagem morre a muito custo, e que toda esta humidade se quer fartar de luz, transformando-se como numa mágica em explosões e cores desgrenhadas pelos ares e em cenários irreais na terra cheia de mistério, até que um único risco de oiro ao cimo de água, oscila, serpenteia e acaba por desaparecer num último arabesco...(...) Só aqui se compreende bem o que a luz lhe custa morrer...»
Raul Brandão, Os Pescadores (1923), Estante Editora, Aveiro, 1989, pp. 79-80, 82.
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| fotografia: filipe sousa | 24 dezembro 2022 |
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| fotografia: filipe sousa | 22 setembro 2023 |
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| fotografia: filipe sousa | 23 junho 2023 |
«Dez dias depois (de nascer perto de Rimini) os meus pais regressaram comigo a Veneza. Eles viviam em casa dos meus avós Genero, em La Bragora, no distrito - o Sestiere - di Castello. Nessa casa com muitos aposentos moravam, além dos meus pais e dos meus avós, os meus tios e tias. Esse estilo de vida era já excepcional na época, mas em Veneza toda a gente se conhecia. Os venezianos deambulavam de manhã à noite, pelas ruelas ou de barco, na laguna. Encontravam-se em festas - como a festa do Redentor -, na tômbola, ou, pelas noites de Verão, na praça de São Marcos à fresca. Os habitantes de Veneza tinham o sentimento de pertencer todos à mesma família, talvez por os seus antepassados serem todos oriundos de horizontes diferentes.»
Hugo Pratt, O Desejo de Ser Inútil, Memórias e Reflexões (Le Désir D'Être Inutile - Souvenirs et Refléxions, 1991), trad. António Sabler, Relógio d'Água Editores, Lisboa, 2005, pp. 21-22.
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| fotografia: filipe sousa | 30 agosto 2023 |
Não posso acreditar. Moras no Alentejo. Trabalhas no Alentejo. E ainda passas férias no Alentejo? E na mesma piscina e paisagem de há quinze anos? Porra, e não te fartas? Se isso não é obsessão, é o quê? No mínimo, uma tremenda falta de imaginação. Ah, e por falar em piscina, livra-te de vires outra vez com essa Fantasia para dois coronéis e uma piscina, do Mário……….esqueci-me do apelido. Era só o que faltava. Não podes variar um bocadinho? Que fixação! Que panca a tua!
«O que mais importava é que a piscina era uma caixa quadrilátera cheia de líquido, que obrigava a múltiplas tarefas, de mão, de química e de motor. Cumprir todos os conformes, ph nos 7,5, cloro a 0,6 g por metro cúbico, algicida q.s., abrilhantador, vigiar a renovação de água, aspiração, filtragem, remoção de folhas, insectos, sementes e pequenos animais afogados, sempre era mais interessante do que andar para ali a encharcar-se, a cansar-se e a fazer figuras. Lencastre andava habitualmente de calções de banho, sem mais nada. Visto de longe, o porte daria uns ares a Pablo Picasso em Mougins, se não tivesse a pele tão escura, o cabelo tão abundante e bigodes brancos voluteados. Também Lencastre considerava o banho de piscina um tremendíssimo frete. Para ele, banhos só de mar e até aos vinte e oito anos. Daí para diante eram partes gagas. Mas gostava de ajudar. Apontava com o dedo o chapinhar duma sardanisca suicida, ou a campanha de escaravelhos que decidira tomar banho e morrer, balanceando-se de gozo nas mansas ondas. Às vezes dizia, com a mão na orelha, «não ouço o filtro, tens a certeza de que o disjuntor não disparou?»».
Mário de Carvalho, Fantasia para dois coronéis e uma piscina, 3ª ed. Editorial Caminho, Lisboa, 2003, pp. 149-150.
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| fotografia: filipe sousa | 22 junho 2023 |
PS. As Quatro Estações foram compostas há precisamente 300 anos pelo veneziano Antonio Vivaldi.
«-Já te aconteceu ver uma cidade que se pareça com esta? - perguntou Kublai a Marco Polo estendendo a mão repleta de anéis para fora do baldaquim da seda do bucentauro imperial, a indicar as pontes em arco sobre os canais, os palácios principescos cujos portais de mármore imergem nas águas, o vaivém das barcas ligeiras que volteiam em ziguezague impelidas por longos remos, as chatas que descarregam cestas de hortaliças nas praças dos mercados, as varandas, os miradouros, as cúpulas, os campanários, os jardins das ilhas que verdejam no pardacento da laguna.»
Italo Calvino, As Cidades Invisíveis (Le città invisibili, 1990), trad. José Colaço Barreiros, Editorial Teorema, Lisboa, 2002, p. 89.
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| fotografia: filipe sousa | 17 agosto 2023 |
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| fotografia: filipe sousa | 20 junho 2023 |
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| fotografia: filipe sousa | 19 junho 2023 |
«Fala-se em termos mais gerais dos italianos que dos outros povos: temperamento meridional ou natureza tumultuosa, facilidade de passar da jovialidade à angústia, da brincadeira à cólera e vice-versa. Nenhum povo reúne todas as características mediterrânicas: elas estão espalhadas de uma ponta à outra do Mediterrâneo. Os discursos literários sobre as belezas da Itália levaram muita gente a ver antes de mais nada aquilo que lhe diziam para ver, antes de considerar o que tinha diante dos olhos, levaram-na a deixar de distinguir o passado ou presente das suas imagens, a descobrir em cada parcela da península o Inferno, o Purgatório ou o Paraíso, os conflitos de Roma e das províncias, a rivalidade entre Veneza e Génova, Nápoles ou Palermo, Florença e Siena, e a encontrar em cada cidade as querelas dos guelfos e dos gibelinos, atrás de cada porta os Montéquios e os Capuletos, a procurar em cada negócio a máfia ou a camorra, em cada cidadela os Médicis ou os Bórgias, em todas as capelas os mesmos prelados e os mesmos santos. «Não nos venha dizer o que é o Mediterrâneo», diz-se em certas cidades costeiras aos que repisam o que toda a gente sabe.»
Predrag Matvejevitch, Breviário Mediterrânico (1987), trad. do francês Pedro Tamen, Quetzal Editores, Lisboa, 2019, p. 112.
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| fotografia: filipe sousa | outubro 1992 |
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| fotografia: filipe sousa | 18 junho 2023 |
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| fotografia: filipe sousa | 18 junho 2023 |
Kerkira
Com esse cheiro a linho
que só os ombros acariciados têm
a terra é branca
e nua.
Em Corfu os asfódelos devem estar
em flor, quando
o vento os inclina no deserto
dos lábios rompe a água.
Turismo em Corfu
Onde Ulisses avistou Nausica
com o verão brincando nas areias
espreita agora a nádega indecisa
e vagabunda de qualquer sereia
se não for de algum anjo sodomita.
Eugénio de Andrade, Escrita da Terra e outros epitáfios (1974), 5ª ed., Inova, Porto, 1983, p.18.
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| fotografia: filipe sousa | 18 junho 2023 |
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| fotografia: filipe sousa | 18 junho 2023 |