Manaus

fotografia: rebeca souza | 13 julho 2025

 






















Escolho quatro frases lapidares de quatro escritores universais para legendar duas mãos cheias de fotografias que me foram enviadas da Amazónia. São palavras que ajudam a descrever o turbilhão de emoções que assaltam o rapaz embrenhado na selva. Conforta-me pensar que possam ser também guias de sobrevivência para o ajudar a enfrentar a vastidão, a solidão, a maravilha mas também o inóspito da maior floresta, eu ia dizer labirinto, do mundo. Porque toda a grande literatura digna desse nome é sempre reparadora, protectora, redentora*.

*Apraz-me saber que na mochila do rapaz viaja, para lá de necessidades prosaicas, da garrafa de água ao repelente de mosquitos, um desses amuletos: A Selva, de Ferreira de Castro, pois claro!«O que faço eu aqui?», a questão que Rimbaud se colocou na Etiópia.

«Viajar torna uma pessoa modesta – vê-se como é pequeno o lugar que ocupamos no mundo», a constatação de Flaubert acerca da fragilidade do viajante.

«Realmente, a Amazónia é a última página, ainda a escrever-se, do Génesis», ou como Euclides da Cunha sintetiza a natureza dinâmica e em constante transformação da Amazónia.

«Tudo selva, selva por toda a parte, fechando o horizonte na primeira curva do monstro líquido.», ou o assombro da vastidão, do incomensurável, que pesa e esmaga, nas palavras de Ferreira de Castro.

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