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| fotografia: filipe sousa | 23 setembro 2025 |
De regresso a Valence, à beira Ródano, voltada para os promontórios de Ardèche, onde começa o Mediterrâneo, a cultura da oliveira e do azeite.
«Para chegar por fim a Valence, onde tem início a mudança de sotaque: a gastronomia muda subitamente da nata para o azeite e para especiarias na dieta mais austera do Sul, com as primeiras azeitonas e amoras e o contraste trágico de uma árvore-de-judas em flor, a pincelada violeta brilhante única da árvore-de-judas.
(…)
Subitamente, o mediterrâneo começa a afirmar-se e o folclore tradicional provençal, o velho mecanismo turístico, dá sinal de si com os seus ciprestes e com os telhados de telha assada, com a sua hera e madressilva, os sicómoros e os plátanos serenos, traçando o curso de rios secretos escavados pelo movimento constante dos glaciares suíços na sua descida para o mar. Ródano!»
Lawrence Durell, A Sombra Infinita de César (Caeser’s Vast Ghost, 1999), trad. Sérgio Gonçalves, Edições Saídas de Emergência, Porto Salvo, pp. 23, 33.

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