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| fotografia: filipe sousa | 2 maio 2025 |
Além de fotografias, colecciono textos sobre oliveiras. Este é o mais recente achado.
«Mas, desde Beja até Serpa e Moura, a árvore mais característica pela idade e porte, a que reveste a paisagem dum burel sombrio e lhe dá o seu ar de fundura concentrada, é a oliveira multicentenária e, porventura, em certos casos, mais que milenária. Densas e em fila, a perder de vista, correm à estrada para ver-nos passar. Os troncos, largos e atarracados, dilacerados de rasgões e cicatrizes, fenestrados em ogiva, dum lado ao outro, dividem-se às vezes em três, quatro e mais membros, apartados uns dos outros, como se outras tantas oliveiras se houvessem fundido numa única. Outras lembram feixes de grossas cordoalhas, que um pé de vento houvesse torcido com violência, gravando-se-lhes no cerne em voltas de espiral.»
Jaime Cortesão, Portugal – a Terra e o Homem (1966), Imprensa Nacional - Casa da Moeda, Lisboa, 1987, p. 250.

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