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| fotografia: filipe sousa | 17 agosto 2023 |
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| fotografia: filipe sousa | 17 agosto 2023 |
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| fotografia: filipe sousa | 20 junho 2023 |
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| fotografia: filipe sousa | 19 junho 2023 |
«Fala-se em termos mais gerais dos italianos que dos outros povos: temperamento meridional ou natureza tumultuosa, facilidade de passar da jovialidade à angústia, da brincadeira à cólera e vice-versa. Nenhum povo reúne todas as características mediterrânicas: elas estão espalhadas de uma ponta à outra do Mediterrâneo. Os discursos literários sobre as belezas da Itália levaram muita gente a ver antes de mais nada aquilo que lhe diziam para ver, antes de considerar o que tinha diante dos olhos, levaram-na a deixar de distinguir o passado ou presente das suas imagens, a descobrir em cada parcela da península o Inferno, o Purgatório ou o Paraíso, os conflitos de Roma e das províncias, a rivalidade entre Veneza e Génova, Nápoles ou Palermo, Florença e Siena, e a encontrar em cada cidade as querelas dos guelfos e dos gibelinos, atrás de cada porta os Montéquios e os Capuletos, a procurar em cada negócio a máfia ou a camorra, em cada cidadela os Médicis ou os Bórgias, em todas as capelas os mesmos prelados e os mesmos santos. «Não nos venha dizer o que é o Mediterrâneo», diz-se em certas cidades costeiras aos que repisam o que toda a gente sabe.»
Predrag Matvejevitch, Breviário Mediterrânico (1987), trad. do francês Pedro Tamen, Quetzal Editores, Lisboa, 2019, p. 112.
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| fotografia: filipe sousa | outubro 1992 |
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| fotografia: filipe sousa | 18 junho 2023 |
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| fotografia: filipe sousa | 18 junho 2023 |
Kerkira
Com esse cheiro a linho
que só os ombros acariciados têm
a terra é branca
e nua.
Em Corfu os asfódelos devem estar
em flor, quando
o vento os inclina no deserto
dos lábios rompe a água.
Turismo em Corfu
Onde Ulisses avistou Nausica
com o verão brincando nas areias
espreita agora a nádega indecisa
e vagabunda de qualquer sereia
se não for de algum anjo sodomita.
Eugénio de Andrade, Escrita da Terra e outros epitáfios (1974), 5ª ed., Inova, Porto, 1983, p.18.
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| fotografia: filipe sousa | 18 junho 2023 |
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| fotografia: filipe sousa | 18 junho 2023 |
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| fotografia: filipe sousa | 17 junho 2023 |
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| fotografia: filipe sousa | 17 junho 2023 |
SOBRE O DESEJO
Hei-de levar este esplendor para um poema, dizia eu, sempre que me estendia à sombra branca e miúda de uma oliveira. Mas fosse onde fosse, em terras de Corfu ou de Maiorca, nos campos de Siena ou no chão da minha infância, sempre adormeci sobre o desejo.
Hoje, que a violência do estio me levou a escarvar a própria pedra, queria apenas uma dessas árvores de bruma, por mais exígua, e adormecer à sua sombra.
Eugénio de Andrade, «Memória Doutro Rio» (1976-1977), in Poesia e Prosa (1940-1980), 2ª ed., Limiar, Porto, s.d., pp. 252-253.
OLIVES
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| fotografia: filipe sousa | 17 junho 2023 |
«Caminhei lentamente com a multidão em direcção à cidade que ficava na colina, com os olhos postos na fabulosa cidadela veneziana elevando-se do mar num amontoado rochoso à minha direita. E sobre o topo das suas muralhas, proclamando a morte e ressurreição de Jesus aos infiéis na Albânia para lá do estreito, erguia-se a cruz mais ostensiva e monstruosa da cristandade. (...)
Não há nada de grego na cidade de Corfu. De facto, essa é provavelmente a razão por que muitos estrangeiros a acham tão atraente. É uma cidade veneziana, um labirinto de ruas estreitas pavimentadas por paralelepípedos entre duas sólidas fortalezas venezianas. Ao fim e ao cabo os Venezianos estiveram aqui mais de quatrocentos anos. Ao longo do cume dos penhascos, entre o Forte Velho, sobressaindo em direcção ao mar com a cruz ao topo, e a elegância das colunatas da velha cidade, há uma faixa de parque, resplandecente de árvores-da-Judeia violáceas na altura da Páscoa, onde os Corfiotas gostam de passear em grupos barulhentos e de vez em quando jogar críquete. (...)
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| fotografia: filipe sousa | 16 junho 2023 |
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| fotografia : filipe sousa | 16 Junho 2023 |
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| fotografia: filipe sousa | 15 junho 2023 |
«Parco de haveres, nascido em terras onde a luz à noite era de azeite e o pão tinha a cor das pedras, todo o excesso me parece uma falta de gosto, todo o luxo uma falta de generosidade. Dito isto, não poderá estranhar-se que me sinta tão religado ao solo pobre e arcaico da Grécia e à fecunda harmonia da sua cultura: o mar de Homero entre as colunas de Súnion, as ruas de Salónica com os muros acabados de caiar, a sombra luminosa dos degraus de Epidauro, onde ressoam ainda os versos supremos de Esquilo, têm para mim um prestígio que nenhum parque de Londres, ou praça de Paris, ou avenida de Nova York poderão alcançar a meus olhos.»
Eugénio de Andrade, À Sombra da Memória, Fundação Eugénio de Andrade, Porto, 1993, p. 130.
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| fotografia: filipe sousa | 14 junho 2023 |
«11 de Setembro de 1963
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| fotografia: filipe sousa | 13 junho 2023 |
«O tempo deixou de existir, só eu existia, levado pela corrente num barco lento, disposto a conhecer quem aparecesse e a aceitar o que acontecesse. (...) Vais gostar da Grécia… aquela ficou-me gravada na cabeça. «Meu Deus, é mesmo verdade, eu gosto da Grécia», dizia para mim mesmo vezes sem conta, encostado à amurada, enquanto absorvia o movimento e o rebuliço. Inclinei-me para trás e olhei para o céu. Nunca tinha visto um céu como aquele. Era magnífico. Senti-me completamente separado da Europa. Tinha entrado num novo reino como um homem livre – tudo se conjugara para tornar a experiência única e fecunda.»
Henry Miller, O Colosso de Maroussi (The Colossus of Maroussi, 1941), trad. Raquel Mouta, Tinta-da-China, Lisboa, 2021, pp. 25, 27.
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| fotografia: filipe sousa | 6 Junho 2019 |
David Byrne, Diário da Bicicleta (Bicycle Diaries, 2009), trad. Vasco Teles de Menezes, Quetzal Editores, Lisboa, 2010, p. 64.
Nota: David Byrne (esse mesmo, o fundador dos Talking Heads!) usa a bicicleta, desde o princípio dos anos 1980, como principal meio de transporte em Nova Iorque.
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| fotografia: filipe sousa | 9 maio 2023 |
«Fomos assim até mais abaixo de Lisboa, onde atravessámos o rio até aqui, a Almada, onde tenho uma pousada muito bonita, ainda que pequena. De todas as janelas vê-se o rio e Lisboa e as naus e, muitas vezes, galeras. Num quarto alto, onde escrevo, vê-se, de uma janela, Lisboa inteira (…)»
Excerto de carta do rei Filipe I às suas filhas.
Almada, 26 de Junho de 1581.
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| fotografia: filipe sousa | 6 agosto 2021 |
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| fotografia. filipe sousa | 23 novembro 2022 |