| fotografia: filipe sousa | 26 junho 2022 |
| fotografia: filipe sousa | 26 junho 2022 |
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| fotografia: filipe sousa | 24 junho 2022 |
Claudio Magris, Danúbio (Danubio, 1986), trad. Miguel Serras Pereira, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 1992, pp. 363.
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| fotografia: filipe sousa | 23 junho 2022 |
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| fotografia: filipe sousa | 21 junho 2022 |
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| fotografia: filipe sousa | 2 junho 2022 |
José Saramago, Manual de Pintura e Caligrafia - Ensaio de romance, 1ª edição, Moraes Editores, Lisboa, p. 183.
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| fotografia: filipe sousa | 31 maio 2022 |
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| fotografia: filipe sousa | 30 maio 2022 |
«A sudeste, e a dez minutos da cidade, ergue-se uma famosa cidadela, de grande nomeada na Itália, cuja grande torre tem cento e oitenta pés de altura, e é visível de muito longe. Essa torre, construída sobre modelo do mausoléu de Adriano, em Roma, pelos Farnese, netos de Paulo III, em princípios do século dezasseis, é de tal espessura que foi possível construir sobre a esplanada que remata um palácio para o governador da cidadela e outra prisão, denominada "Torre Farnese". Esta prisão, construída em honra do filho mais velho de Ranúncio - Ernesto II, que se tornara amante da madrasta, tem fama de bela e singular no país. A duquesa teve curiosidade em vê-la; no dia da sua visita o calor era sufocante em Parma, e lá no alto, naquelas alturas, encontrou ar respirável, o que a deliciou de tal modo que passou ali várias horas. Apressaram-se a abrir-lhe as salas da torre Farnese.»
Stendhal, A cartuxa de Parma (La chartreuse de Parme, 1839), trad. Adolfo Casais Monteiro, Editorial Estúdios Cor, Lda, Lisboa, 1957, p. 108.
| fotografia: filipe sousa | 7 maio 2021 |
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| fotografia: filipe sousa | 26 junho 2017 |
| fotografia: filipe sousa | 25 janeiro 2020 |
| fotografia: filipe sousa | 18 fevereiro 2022 |
| fotografia: pedro sousa | 17 fevereiro 2022 |
| fotografia: filipe sousa | 16 fevereiro 2022 |
«Com humildade, contei a Robert como em Paris pouco se sentia a guerra. Ele respondeu-me que mesmo em Paris havia às vezes coisas «bastante insólitas». Aludia a um raid de zepelins que tivera lugar na véspera e perguntou-me se eu vira, mas como se outrora me falasse de um espectáculo qualquer de grande beleza estética. Na frente ainda se compreende que haja uma espécie de afectação em dizer: «É maravilhoso, olha aquele cor-de-rosa, e aquele verde-claro», quando quem o diz pode ser morto a todo o momento; mas não era isto que acontecia com Saint-Loup, em Paris, a propósito de um raid insignificante, mas visto da nossa varanda, naquele silêncio de uma noite em que houvera de repente uma festa de verdade com foguetões úteis e protectores, toques de clarim que já não eram só de parada, etc. Falei-lhe da beleza do aviões que subiam de noite. «E talvez seja maior ainda a dos que descem», disse-me ele. «Reconheço que é muito belo o momento em que sobem, em que vão formar em constelação, obedecendo a leis tão exactas como as que regem as constelações, por que o que a ti te parece um espectáculo é a junção das esquadrilhas, as ordens que recebem, a sua partida para a caça, etc. Mas não preferes o momento em que, definitivamente assimilados às estrelas, se afastam delas para partirem em perseguição ou regressarem após o toque de dispersar, o momento em que criam um apocalipse, em que nem sequer as estrelas se mantêm no mesmo lugar? E aquelas sirenes eram uma coisa bastante wagneriana, o que aliás era muito natural para saudar a chegada dos Alemães, tinham muito de hino nacional, com o Konprinz e as princesas no seu camarote imperial, Wacht am Rhein, apetecia perguntar se eram mesmo aviadores ou se não seriam antes Valquírias subindo.» Parecia comprazer-se nesta assimilação dos aviadores às Valquírias, e explicou-o aliás por razões puramente musicais: «É que a música das sirenes, senhores, era de uma Cavalgada! Decididamente é preciso que cheguem os Alemães para se poder ouvir Wagner em Paris.» E, de resto, de certos pontos de vista, a comparação não era falsa. Da nossa varanda a cidade parecia um escuro monstro informe e negro, e que de repente se transferia das profundezas e da noite para a luz e para o céu, onde um a um os aviadores se elevavam obedecendo ao apelo dilacerante das sirenes, enquanto, num movimento mais lento, mas mais insidioso, mais alarmante, porque o seu olhar faz pensar no objecto ainda invisível e talvez já próximo que buscava, os projectores se moviam incessantemente, farejando o inimigo, cercando-o com as suas luzes até ao momento em que os aviões encaminhados saltariam em perseguição para o agarrarem. E, esquadrilha após esquadrilha, cada aviador arremetia assim da cidade agora transportada para o céu, semelhante a uma Valquíria.»
Marcel Proust, Em busca do tempo perdido (À la recherche du temps perdu, 1927), O tempo reencontrado (Le Temps Retrouvé, 1927), trad. Pedro Tamen, Relógio d'Água Editores, Lisboa, 2005, pp. 69-70.
Este ano celebra-se o centenário da morte de Proust.
| fotografia: filipe sousa | 15 fevereiro 2022 |
| fotografia: filipe sousa | 5 fevereiro 2022 |
Jonh Banville, Retalhos do tempo - Um Memorial de Dublin (Time Pieces - A Dublin Memoir, 2016), trad. Paulo Faria, Relógio d'Água Editores, Lisboa 2017, p. 126.
| fotografia: filipe sousa | 5 fevereiro 2022 |
O canal que cruza a Bagottonia, entre Baggot Street e Lower Mount Street. Uma Dublin oculta - oculta dos olhares distraídos, é claro! -, que descubro com a ajuda de John Banville.
«Imagino que todos possuamos um lugar especial que constitua uma espécie de paraíso privativo, o Céu para onde gostávamos de ir depois da morte, se é que temos de ir para algum lugar. Para mim, aquele trecho de água plácida e juncos rumorejantes, com o caminho de sirga ocre-escuro que vai desde a Baggot Street até à Lower Mount Street, é a paisagem aquática mais encantadora que conheço, superando até aquele outro Canale Grande, o tal dos gondoleiros de voz maviosa. Considero uma das maiores bênçãos da minha vida ter-me sido permitido, desde uma idade precoce, travar conhecimento com aquela zona, «Baggotonia», tal como os seus moradores a designavam, cheios de ternura e de sentido de posse, e, mais tarde, ter tido a imensa sorte de ali morar (...)».
Jonh Banville, Retalhos do tempo - Um Memorial de Dublin (Time Pieces - A Dublin Memoir, 2016), trad. Paulo Faria, Relógio d'Água Editores, Lisboa, 2017, pp. 24,27.
| fotografia: filipe sousa | 1 fevereiro 2022 |
| fotografia: filipe sousa | 30 janeiro 2022 |
(...)
Muros são gigantes solitários presos às origens da sedentária gesta humana. Não apenas dos grandes feitos, mas de todas as realizações, aspirações desejos e sonhos íntimos, perdidos, esquecidos - passados e presentes - de homens laboriosos que assim buscam na apropriação do espaço a perpetuação da sua própria eternidade transformada em escrita da paisagem.»
Gabriella Casella, Gramáticas de Pedra - Levantamento de tipologias de construção murária, CRAT - Centro Regional de Artes Tradicionais, 2003.
| fotografia: filipe sousa | 25 janeiro 2020 |
«Também tu, ó Rússia, não correrás assim, como uma troika célere e inultrapassável? Fumega o caminho debaixo das tuas rodas e tudo vai ficando para trás. Queda-se o espectador, espantado com o milagre divino: não será isto um raio do céu? O que significa esta correria de meter medo? Que força obscura existe nestes cavalos que o mundo desconhece? Eh, cavalos, cavalos, que cavalinhos! Será que as vossas crinas transportam furacões? Tereis em cada veia um ouvido apurado? Ouvistes de cima uma cantiga familiar e logo retesastes, todos de uma vez, os vossos peitos de cobre e, quase sem tocardes com os cascos em terra, tornastes-vos linhas estiradas voando pelo ar, e toda ela corre, inspirada por Deus... Rússia! Para onde corres tu? Responde-me. Não há resposta. Desfazem-se os guizos num divino guizalhar; troveja e faz-se vento o ar rasgado em pedaços; a teu lado voa tudo o que há na terra e, olhando de soslaio, afastam-se e abrem-lhe alas os outros povos e Estados.»
Nikolai Gógol, Almas Mortas - poema, (Mertvi Duchi (Poema), 1842), trad. Nina Guerra e Filipe Guerra, Assírio & Alvim, Lisboa, 2002, p.327.
| fotografia: filipe sousa | 26 novembro 2021 |
No circo Monteiro nunca chove chuva
Punha com o laço e o palhaço a luva
Trapezistas, tropecistas virtuosos trapacistas
E nas contabilidades sempre equilibristas
O circo Monteiro é sempre ao sol, fá, mi, ré
O circo Monteiro é sempre em pé
| fotografia: filipe sousa | 18 novembro 2021 |
| fotografia: filipe sousa | 16 abril 2016 |
A estrada da Barca chama-me de novo, amanhã. E sei que vou por aí, faça sol ou chuva!
Solvitur ambulando. «Caminhar tudo resolve».
Bruce Chatwin, O Canto Nómada (The Songlines, 1987), trad. José Luís Luna, Quetzal Editores, Lisboa, 1995, p. 213.