| fotografia: filipe sousa | 18 novembro 2021 |
| fotografia: filipe sousa | 18 novembro 2021 |
| fotografia: filipe sousa | 16 abril 2016 |
A estrada da Barca chama-me de novo, amanhã. E sei que vou por aí, faça sol ou chuva!
Solvitur ambulando. «Caminhar tudo resolve».
Bruce Chatwin, O Canto Nómada (The Songlines, 1987), trad. José Luís Luna, Quetzal Editores, Lisboa, 1995, p. 213.
![]() |
| fotografia: filipe sousa | julho 2003 |
![]() |
| fotografia: filipe sousa | 23 setembro 2021 |
«A que velocidade, continuei eu, batendo as palmas, descerei o rápido Ródano, tendo o Vivarais à direita, e o Delfinado à esquerda, entrevendo apenas as antigas cidades de Vienne, Valence e Viviers. Que chama viva nas nossas lamparinas ao apanhar um cacho de uvas vermelhinhas de Hermitage e Côte rôti, enquanto passo disparado aos pés das videiras! e que fresco manancial no sangue! contemplar as margens aproximando-se e afastando-se, os castelos lendários, de onde cavaleiros corteses outrora libertaram os infelizes - e ver, vertiginosas, as rochas, as montanhas, as cataratas, e a Natureza cheia de pressa com todas as suas grandes obras em redor.»
Laurence Sterne, A Vida e Opiniões de Tristram Shandy (The Life and Opinions of Tristram Shandy, Gentleman, 1759 - 1767), trad. e not. Manuel Portela, Edições Antígona, Lisboa,1998, parte segunda, vol. VII, cap. XXIX, pp. 225-226.
| fotografia: filipe sousa | 20 setembro 2021 |
Paul Theroux, A Arte da Viagem (The Tao of Travel, 2011), trad. José António Freitas e Silva, Quetzal Editores, Lisboa, 2021, p. 21.
![]() |
| fotografia: filipe sousa | 20 setembro 2021 |
Antoine de Saint-Exupéry, Terre des Hommes (1939), Éditions Gallimard, 1979, pp. 55-56.
![]() |
| fotografia: filipe sousa | 6 setembro 2021 |
«Passaram sem pressas diante do Museo do Prado e do gradeamento do
Jardim Botânico antes de virarem à esquerda, subindo a ladeira da Claudio
Moyano, deixando para trás o tráfego ruidoso e a contaminação da praceta de
Atocha. O sol iluminava as barracas cinzentas e as bancas de livros escalonadas
rua acima.
Arturo Pérez-Reverte, O Cemitério dos Barcos sem Nome (La Carta Esférica, 2000), trad. Helena Pitta, Edições Asa, Porto, 2002, p. 59.
![]() |
| fotografia: filipe sousa | 7 setembro 2021 |
![]() |
| fotografia: filipe sousa | 9 setembro 2021 |
![]() |
| fotografia: filipe sousa | 6 setembro 2021 |
![]() |
| fotografia: filipe sousa | 14 abril 2019 |
![]() |
| fotografia: filipe sousa | 28 agosto 2021 |
É um ritual que procuro cumprir com a regularidade possível, após ter trocado o litoral pelo interior, completam-se trinta anos dentro de dias. Ontem, voltei a reviver o passado na Mata dos Medos, sobre a arriba fóssil da Costa da Caparica e, mais abaixo, a imensidão do areal que se estende da Cova do Vapor até perto do Cabo Espichel. Perdi a conta às vezes que atravessei este pinhal a caminho da praia ou percorri o trajecto Fonte da Telha-Lagoa da Albufeira-Fonte da Telha, à beira-mar, na maré-baixa. Desta vez não desci à praia, apesar do ar abafado e do mar flat, convidativo a banhos. Contentei-me com a vista deslumbrante e a companhia de Raul Brandão.
«Uma grande extensão de areal, só areia e mar, barcos como crescentes encalhados e alguns pescadores remendando as redes. Nem um penedo. Areia e céu, mar e céu. Dum lado o formidável paredão vermelho, a pique, desmaiando pouco a pouco, até entrar pelo mar dentro todo roxo, no cabo Espichel. Do outro o mar azul metendo-se, num jorro enorme, pela ampla barra de Lisboa, deslumbrante e majestosa. De onde isto é esplêndido é acolá do alto do convento dos Capuchos. Assombro de luz e cor. Amplidão. As casotas da Caparica aos pés, o mar ilimitado em frente, ao fundo e à direita a linha recortada da serra de Sintra com as casinhas de Cascais e Oeiras no primeiro plano esparsas num verdo-amarelado... E luz? E o prodígio da luz?... A gente está tão afeita à luz que não repara nela e trata como uma coisa conhecida e velha este azul que nos envolve e penetra e que desaba em torrentes sobre as águas verdes desmaiadas e sobre as terra amarelas e vermelhas até ao cabo Espichel... Mas fecho os olhos - abro os olhos... Imensa vida azul - jorros sobre jorros magnéticos. Todo o azul estremece e vem até mim em constante vibração. Quem sai da obscuridade para a luz é que repara e estaca de assombro diante deste ser, tão vivo que estonteia...»
Raul Brandão, Os Pescadores (1923), Estante Editora, Aveiro, 1989, pp. 164-165.
![]() |
| fotografia: filipe sousa | 29 julho 2021 |
O Novo Mundo às portas de Moura.
«Custa a acreditar que a piteira não viva aqui desde sempre, que tenha sido trazida de fora e aclimatada a estas latitudes: veio apenas há cinco séculos do Novo Mundo (...). Tomou raízes num solo magro que a sustém e que também ela retém, obstando ao seu esboroamento (...). Não sabemos o que é que, antes dela, impedia nas escarpas que os torrões de terra e os calhaus viessem por ali abaixo. É preciso ver brotar da piteira, nas hastes às vezes com vários metros de altura, as suas flores de corolas loiras que parecem cibórios, vê-la esgotar-se inteiramente nessa única floração e secar até à raiz, para compreender que é originária de climas mais cruéis que o do Mediterrâneo.»
Predrag Matvejevitch, Breviário Mediterrânico (1987), trad. do francês Pedro Tamen, Quetzal Editores, Lisboa, 2019, pp. 95-96.
![]() |
| fotografia: pedro sousa | 18 agosto 2020 |
![]() |
| fotografia: filipe sousa | 15 julho 2021 |
![]() |
| fotografia: filipe sousa | 13 julho 2021 |
| fotografia: filipe sousa | 7 julho 2021 |
| fotografia: filipe sousa | 6 julho 2021 |
![]() |
| fotografia: filipe sousa | 20 junho 2021 |
O VERÃO
| fotografia: filipe sousa | 8 março 2020 |
![]() |
| fotografia: filipe sousa | 12 junho 2021 |
| fotografia: filipe sousa | 7 janeiro 2020 |
![]() |
| fotografia: filipe sousa | outubro 2005 |
Para lá da espuma dos dias, fica a espuma essencial que nos mantém à tona, como a das águas turquesas de Palombaggia.
«Normalmente fala-se da espuma em termos gerais ou pedantes, a maioria das vezes a propósito das vagas e do vento. As analogias com a ligeireza ou a frivolidade, a facúndia ou a fecundidade, mais não são que comparações: não dizem o que é, de facto, a espuma. Raros são aqueles que pretendem saber o seu volume, a sua composição, se é salgada como o mar, porque é que este a rejeita com tanta obstinação para a praia, e em que quantidades. De resto, não se sabe bem se se pode falar de quantidades a propósito dela. Não esqueçamos também a diferença entre a espuma que flutua no mar e a que se depõe na praia: dificilmente se deixam dissociar, embora por vezes se excluam uma à outra. Ambas nos são familiares e cada uma tem o seu lugar. Não há espuma no mar Morto.»
Predrag Matvejevitch, Breviário Mediterrânico (1987), trad. do francês Pedro Tamen, Quetzal Editores, Lisboa, 2019, p. 44.
| fotografia: filipe sousa | 18 setembro 2020 |
Hoje celebra-se o Dia Internacional do Fascínio das Plantas. A condizer, fascinado me confesso pelas plantas resilientes da Ponta de São Lourenço e palavras sábias de Teofrasto.
As partes de uma planta
![]() |
| fotografia: filipe sousa | 24 agosto 2020 |
Temi o verão, o tempo. Aproximava-se.
| fotografia: filipe sousa | 27 abril 2020 |
São dessa Safo poetisa da paixão e da natureza, de que nos chegaram sobretudo registos mutilados, os três versos seguintes retirados do seu «O Pomar de Afrodite», bem à medida das fotografias, ou, pensando melhor, que as dispensam ou tornam acessórias, pois que «em nenhum autor grego encontramos uma alquimia tão milagrosa entre o som da poesia e a sugestão visual do respectivo significante» (Frederico Lourenço).
O pomar de Afrodite (fr.2 PLF)
(...)